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Cícero - Concerto 1 (2025)

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Fiquei surpreendido ao ouvir esse disco. Não que eu duvide da capacidade do Cícero - aliás, considero-lhe genial - mas não esperava dele um disco com essa proposta. Explicando ao leitor: o cantor e compositor Cícero fez uma turnê recentemente pelo Brasil, chamada de "Concerto 1". Misturando voz, violão e orquestrações, as apresentações agradaram bastante seus fãs e ao próprio Cícero. Ele gostou tanto do "feeling" desses shows que resolveu fazer um disco só de releituras de suas próprias canções, com os arranjos "no mote" dos da turnê. Em suma, é um álbum que recicla de forma bem bacana as nuances de suas belas canções. Ao ler os nomes das faixas do disco, algo me saltou aos olhos: o álbum só tem uma música do seu aclamado Canções de Apartamento . Talvez isso tenha a ver com uma busca do Cícero de dizer que seu foco artístico mudou. Se foi essa a intenção dele, eu digo que isso se faz evidente desde Sábado , seu disco de 2013. Nele, já se percebia que o let...

Chico Buarque de Hollanda - Nº 4 (1970)

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Este disco tem a fama de ter sido "renegado" pelo Chico (devido às baixas vendagens em comparação com seus trabalhos anteriores). Talvez por isso alguns críticos argumentam que esse trabalho é "fraco" e que seria uma espécie de "patinho feio" na discografia do compositor. Mas a verdade é que, quando paramos para analisar os detalhes, vemos que se trata de um disco muito interessante e repleto de boas canções. O contexto do lançamento deste disco precisa ser explicado: Chico estava exilado na Europa e mandou para o Brasil fitas com seus vocais. Em cima desse material foram colocados arranjos, sem que o compositor pudesse dar muitos "pitacos" sobre a produção. Quando Chico voltou para o Brasil, as orquestrações já estavam quase todas prontas. O resultado foi que, em termos de arranjos, o disco se tornou uma "salada de frutas". Faltou coerência. Mas, se analisarmos as composições "cruas", notaremos que a genialidade do Chico ...

Chico Buarque - Chico (2011)

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Quebrando um hiato de cinco anos sem lançamentos, Chico Buarque retornou em grande estilo com este álbum. Olhando em retrospecto, essa obra se mostra mais criativa do que Carioca , de 2006. Nela, Chico deixou um pouco de lado a sua sempre complexa poética, em favor de uma linguagem mais simples e acessível. Os arranjos também são superiores aos dos seus trabalhos anteriores. Instrumentos de sopro se fazem presentes na música de abertura, “Querido Diário” (por sinal, a mais bonita do disco). Em sua letra, o eu-lírico é solitário e flerta com religião, depois terminando por encontrar um amor. O ritmo do disco é em geral lento, o que pode parecer um tanto enfadonho para alguns ouvintes. A minha dica é ouvir a obra sem pretensões, prestando atenção nos detalhes bem produzidos do álbum (como o coral em “Tipo um Baião”, uma clara homenagem a Luiz Gonzaga). Um detalhe é que Chico, contrariando artistas como Bob Dylan e Paul McCartney, melhorou seu canto com o tempo. Nesta obra, está afinadíss...

The Beatles - Beatles for Sale (1964)

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Injustamente considerado um álbum aquém na discografia dos Beatles, o Beatles for Sale é, para mim, um disco sensacional. Tipo, se tivesse sido lançado por uma banda menor dos anos 1960, teria com certeza sido considerado uma masterpiece . Mas, como é um trabalho da maior banda de todos os tempos, ficou sendo considerado "fraco". Por ter alguns covers e poucas faixas de sucesso, alguns o têm como um "passo para trás" na discografia do grupo. Isso se deve também porque ele sucedeu o excelente A Hard Day's Night,  que tem todas as faixas compostas pela parceria Lennon/McCartney. "No Reply" já abre o disco muito bem. Além da melodia cativante, tem uma letra que "cumpre seu papel" e fala sobre um rapaz que não obtém resposta de sua amada e, além disso, a vê com outro rapaz. "I'm a Loser" já antecipa o John Lennon de "Help!". Analisando sua letra, chegamos à conclusão de que o compositor talvez não estivesse nos seus melh...

Sobre Neil Young

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Da excelente discografia do mestre Neil Young, separei os discos After the Gold Rush e Harvest para comentar minha história com ambos os álbuns e expor informações gerais, num post descompromissado. Pelo primeiro trabalho, me apaixonei em 2012, ouvindo a sombria faixa de abertura, "Tell Me Why". Foi na mesma época que também me viciei em jóias como a "alegrinha" "Till the Morning Comes" e a faixa-título. O segundo, Harvest , foi um disco que dividiu opiniões na época do lançamento. Uns consideraram menos consistente que os trabalhos anteriores de Neil e outros diziam que era um disco perfeito. Eu concordo com o segundo grupo. Desse álbum, eu destaco o clássico "Heart of Gold", "A Man Needs a Maid" e "Old Man". Com seu folk/country rock, Harvest tem a sonoridade ideal para quem gosta de álbuns no estilo de Nashville Skyline do Bob Dylan. Para mim, Neil foi um dos melhores melodistas dos anos 1970. Como se já não bastasse a ...

Legião Urbana - Dois (1986)

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Cada disco da Legião Urbana é um retrato diferente da poesia sempre genial de Renato Russo. Dependendo do seu estado de espírito, temos letras mais tristes (como as do disco A Tempestade ), mais profundas (como em As Quatro Estações ) e "agridoces" (como no disco V ). Se o álbum de estreia mostra uma banda ainda se descobrindo em meio às influências britânicas de Renato (Beatles, Smiths, etc), esse segundo trabalho mostra uma consolidação magistral. Nota-se um grande avanço em termos de letras, melodias, arranjos... "Daniel na Cova dos Leões", com sua letra difícil de entender, marca presença com seu riff poderoso (que lembra a introdução de "Ainda é Cedo"). Jocosamente, o baterista da banda, Marcelo Bonfá, comentou com Renato na gravação: "não tenho ideia do que fala essa letra, só sei que é boa". "Quase sem Querer" é o segundo destaque que faço. Uma música "gostosinha" de ouvir, com alto astral e poesia descompromissada. Na...

Raul Seixas - Krig-ha, Bandolo! (1973)

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Raulzito... sim, era assim que Raul Seixas se apresentava quando tentou a fama no fim dos anos 1960, junto com o grupo Raulzito e os Panteras. O disco que eles lançaram é bem interessante, mas não conseguiu vender bem e nem ter uma boa opinião da crítica. Raul fez uma segunda tentativa na vida artística com o mítico Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez , de 1971, mais uma vez falhando. Hoje em dia, o álbum é bastante cultuado e raro de se encontrar, num efeito parecido com o que ocorreu com o primeiro álbum de Zé Ramalho com Lula Côrtes, Paêbirú . Foi só em 1973 que Raul alcançou a fama, com o disco sensacional Krig-ha, Bandolo! , que emplacou diversos hits nas rádios da época e que ajudou ele a se tornar o artista brasileiro que mais fez sucesso cantando rock nos anos 1970 (um posto que disputa com Rita Lee). Raul conseguiu fazer uma obra forte, com um certo humor e grande valor poético. Confesso que não sou muito fã da forma que o álbum se inicia, com a c...

Maroon 5 - Songs About Jane (2002)

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Ah, o rock internacional do início dos anos 2000... Um período entre o britpop dos anos 90 e o início da decadência do rock nas paradas de sucesso. Naquela época, bandas como Maroon 5 e Coldplay ainda conseguiam emplacar hits  com o tipo de som encontrado em Parachutes , A Rush of Blood to the Head  e o disco dessa review . Bons tempos, amigo leitor... Apesar de ter um estilo mais voltado pro  pop rock se comparado ao som um tanto indie  feito na época pelos amigos do Coldplay, as duas bandas tinham uma coisa em comum: foram talvez da última geração que conseguiu emplacar sucessos fazendo ROCK. Sim, rock, sem terem que mudar o estilo (o que começaram a fazer um tempo atrás) para se manterem nas paradas de sucesso. O Coldplay de  Parachutes  não lembra em nada o de A Head Full of Dreams.  O Maroon 5 de músicas como "Sunday Morning" e "This Love" não lembra em nada o de "Moves Like Jagger" e "Sugar". Agora, depois desse "desabafo...

Álbuns de "volta à ativa"

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É natural para todo artista passar por períodos ruins ou de pouca criatividade. Só que é também de se esperar que ele volte a fazer trabalhos de qualidade depois desse tempo. Isso aconteceu repetidas vezes e, aqui, vou listar as mais memoráveis, na minha opinião. Elton John - Songs from the West Coast (2001) Os anos 90 do sir  Elton John não foram muito bem recebidos pela crítica. Apesar de eu gostar muito de Made in England , seu álbum de 1995, também reconheço que foi um período mediano em sua carreira. Seu próprio letrista, Bernie Taupin, detesta The Big Picture , de 1997. Foi então que, em 2001, talvez aproveitando a chegada do novo milênio, Elton lança uma verdadeira obra-prima, que é Songs from the West Coast . Minhas recomendações do álbum são "I Want Love", que inclusive tem um clipe belíssimo com o Robert Downey Jr., e "This Train Don't Stop There Anymore", cujo clipe é com o Justin Timberlake (fantasiado como o Elton John dos anos 70). Pau...

Cat Stevens - Tea for the Tillerman (1970)

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Cat Stevens é um compositor fantástico. É uma pena que poucos sabem disso. Seu nome parece ser desconhecido pela maioria dos críticos de música, e apenas aparece ao grande público por pontuais sucessos, como "Father and Son" e "Wild World". Canções lindas como "How Can I Tell You" e "Lady D'Arbanville" nunca conseguiram alcançar tanta popularidade. Que injustiça! Eu conheci esse grande artista quando meu pai, voltando de uma viagem, trouxe a compilação The Very Best of Cat Stevens . Na verdade, ele só tinha se ligado em uma ou outra música, e quem acabou se apaixonando mesmo por todas as faixas fui eu. Passei boa parte de 2007 ouvindo esse disco no meu iPod e hoje em dia ainda lembro perfeitamente de cada verso das músicas. Só depois que fui conhecer o resto de seu trabalho, e me surpreendi. Até mesmo as músicas secundárias de seus álbuns têm algum valor, umas nuances interessantes. Antes de se converter ao islamismo e largar a carreir...

Wings - Venus and Mars (1975)

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Paul McCartney, quando deixou os Beatles, em 1970, caiu em profunda depressão. Não sabia mais o que fazer, já que se sentia inseguro para continuar a carreira sozinho, sem seus companheiros de banda e o maestro George Martin. Passou então a beber bastante, deixar a barba crescer e ficar bastante recluso. Quando recuperou um pouco as forças, começou a gravar canções simples e com poucos arranjos. Essas gravações resultaram no álbum McCartney , de 1970, que dividiu as opiniões dos críticos. Esse trabalho possuía fragmentos mal gravados, letras pouco complexas e parecia um trabalho de amador, que não combinava nada com a imagem que Paul havia passado nos anos anteriores: a de um músico extraordinário. É difícil acreditar que o compositor de "Eleanor Rigby" é o mesmo da boba "The Lovely Linda". Os críticos, então, se perguntavam: "onde está o velho Paul"? Seus amigos haviam feito estreias impecáveis: tanto John com o reflexivo e sincero  Plastic Ono Ba...

Caetano Veloso - Cinema Transcendental (1979)

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Nota : este texto foi originalmente postado por mim no Facebook  em 11 de agosto de 2018, como parte de um "desafio" de se publicar uma revisão de discos importantes na minha vida diariamente, durante dez dias. O texto original é o que segue. Hoje vou falar de um disco fantástico, o melhor de Caetano Veloso (na minha modesta opinião) e um dos melhores da MPB: o grande Cinema Transcendental . Lançado em 1979, fecha a década de 1970 em grande estilo, terminando uma espécie de "trilogia fantástica" de Caetano, da qual também fazem parte os álbuns Bicho  e Muito . Nessa época, o músico deixou de lado o experimentalismo de discos como Araçá Azul  e Jóia , concentrando-se em fazer bonitas letras e melodias. Uma coisa que eu noto também é que as letras nesse álbum estão mais simples do que o padrão de Caetano (com exceção da muito complexa "Cajuína"), um processo parecido com o que aconteceu com Bob Dylan em álbuns como Nashville Skyline  e New Morning . ...

Belchior - Alucinação (1976)

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Nota : este texto foi originalmente postado por mim no Facebook  em 25 de julho de 2018, como parte de um "desafio" de se publicar uma revisão de discos importantes na minha vida diariamente, durante dez dias. O texto original é o que segue. Das memórias que guardo da minha infância, uma das mais marcantes é minha mãe ouvindo música no carro. Um dos artistas preferidos dela era o Belchior. Certa vez, quando ela estava ouvindo um disco ao vivo dele, eu perguntei: "mamãe, por que ele canta diferente daquela versão de que gente ouve?". E, realmente, o Belchior tinha isso de mudar um pouco o tom da melodia ao cantar ao vivo. Ela respondeu que era pra variar o estilo. "Prefiro a versão normal. Não gostei dessa", eu disse. Hoje em dia eu percebo o quanto fui "mente fechada"... É claro que é muito interessante ouvir o Belchior cantar ao vivo modificando a melodia, principalmente quando já se é acostumado com a versão de estúdio... até para variar....

Radiohead - The Bends (1995)

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Nota : este texto foi originalmente postado por mim no Facebook  em 23 de julho de 2018, como parte de um "desafio" de se publicar uma revisão de discos importantes na minha vida diariamente, durante dez dias. O texto original é o que segue. Hoje eu tive uma dúvida cruel: se postava sobre esse disco ou o OK Computer . Na última hora, percebi que o The Bends  contém mais músicas que me agradam, comparado com a que é comparada a verdadeira obra-prima da banda. Então, trago esse álbum no post  de hoje. Lançado em 1995, após uma estreia que dividiu opiniões (com o disco Pablo Honey ), Thom Yorke e sua turma conseguiram fazer um álbum um tanto acústico e com muitas partes interessantes. O disco já abre com muita qualidade, com a "Planet Telex", que cita "everything is broken / everyone is broken". Segundo o que me disse certo dia meu amigo Thony Allef Santos, a letra parece ser um protesto com o fato de sempre olharmos para o que não temos e nunca estar...

Edu Lobo - Camaleão (1978)

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Lançado em 1978, em meio ao então cenário efervescente da MPB Confesso que conhecia bem pouco do Edu Lobo até alguns meses atrás. Sim, sabia de suas parcerias com o Chico Buarque (em O Grande Circo Místico  e outras ocasiões), além de sucessos de festivais como "Arrastão" (canção defendida por Elis Regina no Festival de Música Popular Brasileira de 1965) e "Ponteio" (defendida pelo próprio compositor no Festival de 1967 (inclusive ganhando das músicas do Chico, Caetano e Gil)). Havia também ouvido por alto Limite das Águas , de 1976. Mas nada tinha me impressionado tanto. O que me encantou mesmo pra valer foi o álbum tema desse post, Camaleão . Bom, eu, já na primeira audição, fiquei impressionado com tudo. Com as letras, as melodias, os arranjos, o "clima" do álbum, entre outras coisas. Da segunda audição em diante, fui me familiarizando mais ainda com a obra, percebendo nuances que ainda não tinha notado e "sentindo" mais o álbum. Agora, ...

Bob Dylan - New Morning (1970)

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Em 1970, Bob Dylan estava numa fase extremamente relaxada. Depois de sua fase folk (de 1962 a 1964), elétrica (de 1965 a 1966), de John Wesley Harding (1967) e Nashville Skyline (1969), o compositor parecia estar confiante no seu trabalho e sem maiores pretensões em ser revolucionário ou passar mensagens importantes em suas letras. Dylan queria fazer um tipo de música sincera e que transmitisse o que estava sentindo no momento. A abertura não poderia ser melhor, com a doce e acústica “If Not For You”, regravada pouco tempo depois por George Harrison. Romântica? Sim. Brega? Jamais. Dylan fala de amor como Chico Buarque, de forma poética e revelando várias nuances de seu lirismo. Não são bobas canções de amor simplesmente, mas sim contemplações da alma feminina. “Went to See the Gipsy” começa com um pianinho gostoso, seguido da voz áspera (e agradável) de Dylan. Tem um ritmo interessante e letra curiosa, falando de um cigano. A guitarrinha no final é sensacional, dand...

The Kinks - Face to Face (1966)

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Não atingindo, na invasão britânica, o mesmo nível de popularidade dos Beatles e Rolling Stones, os Kinks faziam um tipo de música à altura dos grandes mestres. Ray Davies era muito competente e sabia como fazer trabalhos de qualidade, nunca pecando na produção. Agora, de originais eles não tinham nada. “Party Lane”, a canção que abre o álbum, é bastante influenciada pelo merseybeat do início da carreira dos Beatles. Ray, sempre polêmico quando se falava dos “ fab four ” (ele se considerava melhor do que eles), admitia a inspiração em entrevistas. É claro que isso não tira a beleza da música. A sentimental “Rosie Won’t You Please Come Home” é talvez a melhor música do álbum. Feita pra irmã do compositor, tem uns efeitos bem bacanas de cravo. “Dandy”, futuramente regravada pelos Herman’s Hermits, diz na letra “Who you gonna run to? / All your little life / You’re chasin’ all the girls / They can’t resist your smile”. “Too Much on my Mind” é uma balada que contribui ...

The Beach Boys - Pet Sounds (1966)

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Com Today!, de 1965, os Beach Boys começaram a mostrar a genialidade de Brian Wilson e Mike Love. All Summer Long tinha marcado a ruptura da banda com a música que faziam até então, com temáticas de praia e garotas. Agora, queriam fazer algo mais sério e inspirado. Tendo ouvido Rubber Soul , dos Beatles, Brian se sentiu imensamente influenciado. Queria fazer trabalhos com qualidade à altura dos Fab Four , só não sabia como. Foi então que ele conheceu Tony Asher, um compositor de jingles . Sabendo de sua reputação como músico, resolveu o chamar para ajudar em suas canções. Essa parceria resultou em um dos melhores discos já produzidos. Pet Sounds é, com certeza, revolucionário, além de ter uma imensa qualidade melódica e poética. Influenciou muita gente, como Paul McCartney. Nessa resenha, vamos comentar alguns detalhes desse trabalho. Abrindo o disco, temos “Wouldn’t It Be Nice”, uma canção com ares de jingle, com ritmo bacana e letra animadora. Já nessa música, e...

Coldplay - Parachutes (2000)

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Formada em 1996, a banda britânica Coldplay atingiu sucesso mundial com seu primeiro disco, Parachutes . Canções como “Don’t Panic” e “Yellow” foram marcantes no rock alternativo do início dos anos 2000. Alguns chamam essa fase de “pós-britpop”, uma categoria que abrigaria também bandas como Feeder, Stereophonics e Travis, que se tornaram populares depois do declínio do britpop original, de bandas como Oasis. A primeira fase do grupo, para mim, é a mais interessante, apesar de músicas tardias como “Paradise” e “Magic” também me agradarem. Nesses primeiros discos, há um cheirinho de indie , uma coisa mais sincera e original. Muitos dizem que, depois, a banda se comercializou demais (o que aconteceu com o Maroon 5 também), mas eu acho que cada fase do grupo tem a sua importância. Eles já tinham lançado dois EPs, chamados “Safety” (de 1998), e “The Blue Room” (de 1999), antes de lançarem esse primeiro disco. A gravação de Parachutes aconteceu entre setembro de 1999 e maio ...